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Aberrometria para cirurgias refrativas cornenanas
1a Edição; 21/04/2010
Descrição
As cirurgias refrativas (Ceratectomia fotorefrativa e, especialmente, a Ceratomileuse in situ por laser (LASIK)) são amplamente utilizadas, atualmente, para correção de erros de refração; entretanto, aberrações óticas tem sido descritas após estes procedimentos.
Novos algoritmos de ablação utilizando a aberrometria, baseados em análise de frente de onda com ou sem customização pelo fator-Q, captam a anatomia corneana com maior precisão e tem o potencial de reduzir as aberrações de alta ordem conseqüentes à cirurgia refrativa corneana que, entende-se, sejam a causa de alterações visuais como a ocorrência de halos em situações de baixa luminosidade e a diminuição da sensibilidade ao contraste.
Este documento objetiva avaliar se o procedimento de cirurgia refrativa guiada por aberrometria (com análise de frente de onda e/ou customização pelo fator-Q) resulta em ganho na qualidade visual com benefício clínico para o paciente em comparação ao tratamento com cirurgia refrativa convencional.
Levantamento bibliográfico:
Pesquisas realizadas até 18/04/2010 no MEDLINE, National Guidelines Clearinghouse, Biblioteca Cochrane, CRD Databases, NICE, Blue Cross Blue Shields, Medicare coverage center e Associação Médica Brasileira ( AMB ) selecionaram:
· 12 Estudos clínicos, prospectivos e randomizados (1-12)
Abreviações utilizadas neste documento
BCVA= Melhor Acuidade Visual Corrigida
LASIK= Laser in situ Keratomileusis
PRK= Ceratectomia Fotorefrativa
RCT= Estudo clínico, prospectivo e randomizado
UCVA= Acuidade Visual Não Corrigida
WF= Wavefront (Análise por Frente de ondas)
Análise das Evidências
Ablação com aberrometria por WF versus Ablação convencional
Os RCT avaliando esta comparação se caracterizam pela pequena amostra (entre 10 e 60 pacientes e entre 20 e 74 olhos), recrutando pacientes com miopia associada ou não a astigmatismo, e por tempo de seguimento entre três e seis meses, sendo LASIK a técnica mais empregada (1, 2, 4, 9, 10, 12) com dois estudos identificados empregando PRK (6, 7). A evolução dos pacientes, quanto à acuidade visual, foi semelhante no grupo tratado com aberrometria ou não (NE 2b) (2, 4, 6, 7, 9, 10) – a mesma observação é feita nos estudos avaliando re-tratamento (NE 2b) (1, 12). Com relação à preferência do paciente por um procedimento específico, dois estudos mostraram resultados conflitantes, com 62,5% de pacientes com preferência pelo tratamento com aberrometria vs 37,5% de pacientes sem preferência ou com preferência pelo tratamento convencional em um estudo (4) e 42% vs 58% em outro estudo (9) – porém, não foi feito teste de significância estatística para estas comparações. Foi observada consistentemente, entre os estudos, menor indução de aberrações de alta ordem no grupo tratado com aberrometria (NE 2b) (2, 4, 6, 7) e maior sensibilidade ao contraste, nos estudos em que este parâmetro foi estudado (NE 2b) (1, 4), porém, o significado clínico destas avaliações e o impacto sobre a qualidade visual no cotidiano do paciente são desconhecidos – nenhum estudo identificado avaliou a evolução dos pacientes quanto à ocorrência de halos em condições de baixa luminosidade. Não há evidência de diferenças quanto à segurança das duas abordagens.
Ablação com aberrometria por WF versus Ablação personalizada pelo fator-Q
Foram identificados dois RCT avaliando esta comparação utilizando LASIK (5, 11) e dois RCT utilizando PRK (3, 8); três destes estudos incluíram pequena amostra (entre 70 e 112 olhos) (3, 5, 8) e um estudo incluiu maior amostra (374 olhos) (11). Após seguimento de um a seis meses, estes estudos não mostraram diferenças, entre os grupos de tratamento, sobre a evolução da acuidade visual (NE 1b, NE 2b) ou quanto à segurança do tratamento.
Conclusões do Parecer
Ablação com aberrometria por WF versus Ablação convencional
Os RCT avaliando esta comparação se caracterizam pela pequena amostra, recrutando pacientes com miopia associada ou não a astigmatismo, e por tempo de seguimento entre três e seis meses, sendo LASIK a técnica mais empregada. Embora tenha sido observada menor indução de aberrações de alta ordem no grupo de pacientes tratados com aberrometria (NE 2b), o significado clínico destas avaliações e o impacto sobre a qualidade visual no cotidiano do paciente são desconhecidos; ainda, a evolução dos pacientes, quanto à acuidade visual, foi semelhante no grupo tratado com aberrometria ou não (NE 2b) – nenhum estudo identificado avaliou a evolução dos pacientes quanto à ocorrência de halos em condições de baixa luminosidade e não há evidência de que haja preferência dos pacientes por uma abordagem em detrimento de outra. Estes dados são semelhantes nos estudos que avaliam re-tratamento (NE 2b). Não há evidência de diferenças quanto à segurança das duas abordagens.
Ablação com aberrometria por WF versus Ablação personalizada pelo fator-Q
Após seguimento de um a seis meses, os estudos não mostraram diferenças, entre os grupos de tratamento, sobre a evolução da acuidade visual (NE 1b, NE 2b) ou quanto à segurança do tratamento.
Recomendações do Parecer
Ablação com aberrometria por WF versus Ablação convencional
A evidência disponível não é suficiente para recomendação de emprego de aberrometria em cirurgias refrativas pela falta de evidência mostrando impacto clínico para o paciente (NE 2b).
Ablação com aberrometria por WF versus Ablação personalizada pelo fator-Q
A evidência disponível não é suficiente para recomendação de ablação personalizada pelo fator-Q em cirurgias refrativas pela falta de evidência mostrando impacto clínico para o paciente (NE 1b, NE 2b).
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